Arte batendo recorde

Desde 2011 o CCBB, o MASP e outras instituições vêm marcando presença nas listas de exposições mais vistas em todo o mundo. Estaria o brasileiro mais interessado em arte?

Publicado no site Saraiva Conteúdo em 17. 07. 2013

Por Carolina Cunha

Filas para conhecer uma exposição de arte são cada vez mais comuns no Brasil. Em 2012, segundo o The Art Newspaper, das 20 exposições mais vistas no mundo, três eram brasileiras, sendo que duas estavam entre as dez primeiras. O feito não foi inédito. Em 2011, três mostras no país entraram na lista das dez mais visitadas diariamente no mundo. Curiosamente, todas as exposições listadas foram organizadas pela mesma instituição, o Centro Cultural Banco do Brasil.

Para Marcelo Mendonça, diretor do CCBB Rio, o setor vive um bom momento. “No início do século XX, o País contava apenas com 12 museus, e hoje já são mais de 3 mil. É visível a busca crescente pela valorização da memória, História, cultura e artes em geral. O Brasil apresenta números crescentes na economia e no poder de consumo. Esses números também se refletem no acesso à cultura”.

Em 2012, a mostra Amazônia: Ciclos de Modernidade, realizada entre maio e junho, no CCBB do Rio, foi a segunda mais vista, com uma média de 7.928 visitantes diários. A mostra Antony Gormley: Corpos Presentes, também no CCBB Rio, ficou em 7º, com uma média de 6.909 pessoas por dia e, em 17º, Impressionismo: Paris e a Modernidade, vista por 5.660 visitantes por dia no CCBB SP.

“No caso dessas mostras, a visitação poderia ser explicada por motivos diferentes. Amazônia foi uma exposição coletiva de diversos artistas nacionais; Corpos Presentes foi uma mostra individual do reconhecido artista internacional Antony Gormley. Nos dois projetos também se destacam a montagem e a interatividade. As instalações na rotunda conquistaram o público das redes sociais, que ilustraram os relatos das visitas com imagens feitas via celular e câmeras digitais”, diz Mendonça, que também aponta a gratuidade da entrada como um fator determinante.

Em 2011, o CCBB do Rio emplacou três mostras na lista das dez mais em visitas diárias. No topo aparece a exposição O Mundo Mágico de Escher, com a maior média diária de público do ano: 9.677 visitantes ao dia. As outras duas foram Oneness, da japonesa Mariko Mori, em 7º, e Eu em Tu, da norte-americana Laurie Anderson, em 9º.

Outra instituição que teve recorde de público em 2012 foi o Museu de Arte de São Paulo (MASP), com 850 mil visitantes no ano. As mostras mais visitadas foram, respectivamente, Roma – A Vida e os Imperadores, Luzes do Norte – Desenhos e Gravuras do Renascimento Alemão e Caravaggio e seus Seguidores. Esta última, com filas de espera de até 3 horas, aumentou em 50% o número de visitantes do local. O museu também se destaca no roteiro turístico. Segundo a SPTuris, o MASP é o lugar mais procurado por turistas brasileiros e estrangeiros.

Para a editora da revista de arte Select, Paula Alzugaray, tais resultados refletem o esforço dos profissionais do setor. “Forma-se um novo perfil de público, sim. Mas não porque o Brasil esteja crescendo economicamente ou nossas instituições políticas estejam colaborando. Mas porque algumas raras instituições privadas e muitos profissionais independentes, artistas, acadêmicos e pesquisadores estão trabalhando assiduamente para educar um novo público há pelos menos três décadas”.

Fila na exposição O Mundo Mágico de Escher, no CCBB Rio

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Fila na exposição O Mundo Mágico de Escher, no CCBB Rio

Segundo Paula, tirando Antony Gormley, as exposições mais vistas no Brasil são de artistas consagrados mundialmente. Mas existe algo novo. “Sinais indicam que a arte contemporânea é finalmente mainstream”, ou seja, caiu no gosto do público.

Para a jornalista, a tendência veio para ficar. “Desde os intelectuais modernos, a Semana de 22 ou a da 1ª Bienal de São Paulo, o brasileiro manifesta certa inquietação em relação ao seu tempo. Mesmo assim, até dez anos atrás, os blockbusters em exposições de arte ainda eram mostras protagonizadas por artistas modernos ou movimentos das vanguardas históricas. Mas acho que é chegado o momento de reconhecer que a resistência e a interrogação a respeito da arte contemporânea começam a arrefecer no Brasil”.

A jornalista cita outros exemplos que mostram a evolução do setor, como a Bienal do Mercosul em Porto Alegre, desde 1996; o Museu Oscar Niemeyer (MON), especializado em design, artes visuais e arquitetura em Curitiba; São Paulo, que em 2005 ganhou a primeira feira de arte contemporânea do Brasil, entre outros. “Ou seja, entre as mudanças, é notável o fortalecimento da instituição e o aparecimento de um circuito off independente”.

Outro centro cultural que aposta na arte contemporânea é o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). O espaço tornou-se o maior museu a céu aberto do mundo e recebe mais de 300 mil visitas por ano. Sua programação de atividades, que alia o contato com a natureza a obras de grandes nomes, como Adriana Varejão, Helio Oiticica e Cildo Meireles, ajudou o local a se transformar em um ponto turístico do estado.

Em 2013, os museus continuam a apostar em artistas de peso. A meta do CCBB é manter a marca do ano passado, quando as exposições somaram 2.200.000 visitantes. Para isso, conta com duas grandes mostras: Elles: Mulheres Artistas na Coleção do Centro Pompidou, em cartaz até 14 de julho no Rio, com obras de mulheres que foram destaque nos séculos XIX e XX; e a mostra dedicada à renascença, com obras de Da Vinci, Michelangelo e Rafael, que estreia em julho, em São Paulo.

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A obra Medusa, do pintor italiano Caravaggio, foi uma das atrações em mostra do MASP

1.417 Comments

  1. Marvinbaite

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