M.I.A. está de volta com novo álbum

Publicado no portal Saraiva Conteúdo
12 de novembro de 2013

No quarto disco, ‘Matangi’, a artista repete a fórmula de beats rápidos e volta a cantar a modernidade colorida das periferias do mundo

Por Carolina Cunha

O quarto trabalho da rapper britânica M.I.A. deveria ter sido lançado em 2012, logo depois que o poderoso single “Bad Girls” emplacou nas paradas, cheio de referências ao Oriente Médio e ao poder feminino.

Enquanto o disco não saía do forno, ela mostrou o dedo do meio durante sua apresentação no Super Bowl norte-americano com Madonna; fez um show via webcam com o ativista Julian Assange, fundador do WikiLeaks; e declarou que a demora do lançamento se devia à gravadora, que achou o trabalho “muito positivo”. Então, a artista ameaçou vazar o próprio álbum na internet.

Um ano depois, finalmente o tão aguardado disco saiu. Lançado nos EUA e na Europa no dia 5 de novembro, Matangi chega ao Brasil no final do mês. O álbum foi produzido pelo britânico Switch, parceiro de longa data da cantora, que imprimiu um tom mais eletrônico ao trabalho. Ele também conta com contribuições de peso, como Hit-Boy e o norte-americano Danja.

Filha de rebeldes políticos do Sri Lanka, a inglesa buscou referências em suas raízes para dar nome ao novo CD. Matangi é a deusa hindu da música e da poesia falada, mas é ao mesmo tempo uma corruptela do primeiro nome da rapper (Mathangi Maya Arulpragasam), tema que também inspira o álbum.

“Minhas palavras são minha armadura e você está prestes a conhecer o seu karma”, diz a letra de “Karmageddon”, faixa que abre o disco.

Matangi agradou à crítica e aos fãs antigos da artista, como a rapper curitibana Karol Conka. “Achei bem [característico da] M.I.A. As batidas sujas e a origem dela estão gritando nas tracks. ‘Y.A.L.A.’ é sensacional, ouço muito alto. Apesar das comparações, ninguém se iguala à rainha M.I.A.”, afirma, empolgada.

As faixas “Bad Girls”, “Y.”, “Bring the Noize”, “Attention”, “Come Walk With Me” e “Only 1 U” já tinham sido divulgadas anteriormente. E “Y.A.L.A. (You Always Live Again)” foi escolhida como próxima música de trabalho. Carregada de ironia, a letra também fala sobre conceitos do hinduísmo e, segundo a própria cantora, é uma resposta à música “YOLO” do rapper Drake (o nome é um acrônimo da frase “You Only Live Once”).

De modo geral, o disco é uma progressão natural dos álbuns anteriores. Desta vez, a rapper soa menos politizada, mas sem perder o tom crítico. Os beats estão mais pesados e continuam polifônicos, repletos de sonoridades que misturam o hip hop a elementos orientais e ritmos como o dub e o dancehall.

Para o DJ Dago, de São Paulo, um dos proprietários e residente do Neu Club, a britânica continua com a mesma essência. “Ouvi o CD todo e gostei. O disco anterior foi mais barulhento, mas, tirando isso, dá para dizer que, musicalmente, a evolução foi bem linear. Bons beats, boas bases, boas músicas, bom marketing”, diz. Para ele, um dos pontos altos da cantora é que ela “sabe captar o que está rolando no underground e traduzir para o mainstream”.

M.I.A. surgiu na cena musical em meados de 2005. A ex-estudante de artes visuais logo chamou atenção e cravou hits como “Galang” e “Paper Planes”, que estreou entre as dez mais da Billboard; e “Buchy Done Gun”, com batida do funk carioca. “’Bucky Done Gun’ era um hino na época em que eu tocava na festa Peligro”, relembra o DJ ao citar a famosa festa na capital paulista, extinta há alguns anos.

Já para Karol, que chegou a ser chamada de “M.I.A. brasileira”, a atitude da britânica é o que chama sua atenção.

“Acredito que algumas artistas pop tenham se inspirado nela. Gosto do ‘suingado’ dela nos clipes e no palco, quando acompanha a batida pesada. Ela usa melodias agradáveis, lembrando cantigas infantis, e ao mesmo tempo tem um deboche embutido. Suas roupas coloridas e despojadas dão o toque final na originalidade dela”, comenta.

Sobre a comparação, não vê problemas. “Me identifiquei com ela justamente por ter atitude e ousar nas escolhas. Não me incomodo com as comparações. Acho legal, apesar de eu ver bastante diferença. Adoro a M.I.A. e para mim é um privilégio ser comparada com uma pessoa tão foda”, diz a curitibana.

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