Roberta Campos, intimista e autoral

Publicado no portal Saraiva Conteúdo
16 de março de 2010

A cantora mineira desponta no cenário musical com sonoridade folk e elogios de Marcelo Camelo

2008. Roberta Campos acabara de sair de uma reunião que mudaria a sua vida. O assunto? A chance de emplacar uma música numa rádio de São Paulo. “Vamos tocar sua música”, disse o diretor da rádio Nova Brasil FM.

A canção era “Varrendo a lua”, do seu disco de estréia Para aquelas perguntas tortas. Recheado por 14 baladas que flertam com o folk e a MPB, chamou a atenção de gente como Marcelo Camelo, que declarou à Rolling Stone: “É para gente como Leandro Tavares ou Roberta Campos cantar que eu componho”.

“Eu fiquei muito surpresa e feliz. O Marcelo é um cara que admiro muito e um dos meus maiores ídolos, por um momento eu não acreditava que estava lendo aquilo. Mas isso foi um dos acontecimentos ligados a ele. Antes disso, ele chegou a ver um vídeo meu no YouTube cantando a canção dele, “Doce solidão”, entrou em contato comigo para que eu fosse num show dele aqui em São Paulo e quis me conhecer, foi fantástico. Tudo isso é fantástico”, diz Roberta.

Para produzir o disco, a mineira adotou radicalmente o lema “faça você mesmo”. Gravou tudo na sala de seu apartamento, em São Paulo, em meio ao barulho dos carros. A fabricação caseira fez Roberta aprender sobre programas de edição de computador e sobre a arte de se virar sozinha. “Foi muito trabalhoso, afundei nas pesquisas do Google”, diz ela rindo.

Além do som, ela também fez os desenhos e chegou a cortar o papel do encarte do CD. Resultado final: um disco simples, cheio de graça, repleto de melodias embaladas por uma delicadeza acústica no formato voz e violão.

A música no rádio abriu as portas que Roberta precisava. “Me deu mais força e me fez acreditar ainda mais no que faço. Consegui tocar mais e as pessoas passaram a me conhecer. Sempre que me apresento em algum lugar e toco “Varrendo a lua” vejo as pessoas se manifestando, cantando junto, é demais”.

Para lançar o disco, Roberta criou também um selo, o Xaxim Music, tudo para deixar o trabalho mais profissional. No momento, lançar outros artistas ainda não está nos planos. “Mas quem sabe no futuro…”

O início

Roberta nasceu em Caetanópolis, terra natal da cantora Clara Nunes, e morou em Paraopeba, com a avó. Deu os primeiros passos na música ainda adolescente e nunca mais perdeu a vontade de compor e viver de música.

“Eu sempre gostei muito de cantar e chamava as minhas amigas e minhas irmãs pra cantar, era minha brincadeira preferida. Daí, passei a perceber que conseguia fazer aquilo melhor que elas. Para comprovar isso, um dia ouvi minha vó dizer que eu sabia. Daí acreditei”, conta ela.

Aos 12 anos fez uma versão para a música “On my own”, de Nikka Costa. Depois vieram suas primeiras composições.

Um coração na mão, o violão na outra

As composições iam brotando com energia e ela seguia com suas apresentações em bares locais. Até o dia em que decidiu vir a São Paulo para o show de Alanis Morissette. Ela não só viu o show como conheceu um paulistano e se apaixonou. Uma daquelas viradas do destino. Os dois namoraram à distância, casaram-se e Roberta fez as malas para viver na metrópole. Isso há cinco anos.

“Foi bastante complicado por não conhecer ninguém, deixar a família pra trás, amigos… Nesses cinco anos fiz muitos amigos, conheci São Paulo e descobri o quanto esse lugar me faz bem. Levei minha música por aí e continuo levando e buscando cada vez mais e mais coisas boas, e fazer ainda mais parte de São Paulo”, relembra Roberta.

Nem precisou de muito tempo para despontar na cena musical da cidade. Generosa com o público, não tem pressa de acontecer. Roberta está com a agenda cheia e toca onde for chamada.

Os anos em São Paulo não tiraram seu jeito bem mineiro de ser, preservado e evidente em suas apresentações. Ao vivo, é duas em uma: a garota tímida do interior de Minas, que se esconde sob a boina e os óculos, mas que em minutos, se transforma em outra, mais forte acompanhada de uma dupla de peso, sua voz e seu violão.

Próximos passos

O segundo disco deve sair pela Deck Disc. Dessa vez ela vai ganhar banda e uma produção afiada, mas o difícil mesmo será a escolha do repertório, já que ela mandou mais de 100 músicas para a gravadora.

Se as músicas vão seguir a fórmula do primeiro disco, com letras e melodias românticas e leves, ela ainda não revela. “A música flui. Tudo acontece muito naturalmente, é o que sinto naquele momento, é complicado responder sobre a atitude, porque sinto tudo muito inconscientemente”.

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