Orquestra Ouro Preto toca versões clássicas de Beatles em festival inglês

Orquestra mineira vai apresentar mistura de música sinfônica e rock no Beatles Festival, tradicional festival britânico dedicado ao quarteto fantástico

Por Carolina Cunha, publicado no site Saraiva Conteúdo em 22 de agosto de 2012

Que as músicas de Paul, John, George e Ringo mudaram a história do rock, todo mundo sabe. Mas quando se fala em clássicos dos Beatles, tudo o que não vem à cabeça são arranjos sinfônicos com instrumentos de corda, certo?

Apostando nessa ideia, a Orquestra Ouro Preto vai desembarcar no Beatles Festival, evento que reúne músicos de todo o mundo na cidade de Liverpool, na Inglaterra, para homenagear a célebre banda britânica em sua terra natal.

É a primeira vez que uma orquestra sinfônica se apresenta no tradicional festival, que acontece de 22 a 28 de agosto e pretende reunir mais de 20 mil pessoas. Tocar para beatlemaníacos na cidade onde uma era de ouro do rock começou é um ponto alto na carreira dos 26 jovens músicos da orquestra.

“A responsabilidade é ainda maior. A gente sabe que o público do festival não apenas cultua a música dos Beatles, mas também é especialista nelas. E quando você quebra essa barreira do antigo para mostrar uma coisa nova, dá esse frio na barriga ao imaginar como será a recepção”, conta Rodrigo Toffolo, maestro e diretor artístico da Orquestra Ouro Preto.

Reconhecida por misturar musica erudita e popular, a orquestra mineira vai levar para o festival uma formação que alia instrumentos sinfônicos a uma banda de rock completa, com guitarra, baixo e bateria.

No programa, diferentes fases dos Beatles serão representadas, desde sucessos como “Help”, “Eleanor Rigby”, “She Loves You”, “Blackbird” e “Hey Jude” a peças mais complexas e menos conhecidas, como “Because” e uma releitura de “With a Little Help From My Friends”, imortalizada por Joe Cocker em Woodstock.

“A gente está abrindo mão da palavra, vamos fazer Beatles instrumental, e a grande força dos arranjos é essa. As pessoas que assistem à orquestra acabam cantando mentalmente enquanto a orquestra executa”, acredita o maestro.

A relação da orquestra com o quarteto britânico começou em 2009, quando o reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) sugeriu uma apresentação diferente, apenas com hits da banda. O projeto cresceu e virou a série de concertos The Beatles, que já percorreu diversas cidades brasileiras.

“Não queremos ser uma orquestra que não ousa, sabemos que se não encantarmos o público, ele vai embora”, diz o maestro ao falar sobre a música experimental. Para ele, até agora, a resposta das pessoas tem sido salas de concertos cada vez mais cheias.

À frente da batuta da orquestra, Rodrigo Toffolo, 34 anos, nunca foi fanático pelo som dos “besouros”. Nascido em Ouro Preto, Minas Gerais, aprendeu a tocar violino e passou boa parte da sua vida decifrando a música erudita.

Ao receber o desafio de adaptar os arranjos do grupo inglês, Rodrigo partiu para pesquisar pela primeira vez o que muitos roqueiros já sabiam de cor: as melodias e ritmos dos Beatles.

“Comprei todos os discos e passei uma semana em casa, ouvindo e prestando atenção em tudo. Aí, meu irmão entrou no meu quarto, olhou, achou estranho, depois olhou de novo e, na terceira vez, falou: ‘Que trabalhinho bom você tem, hein!’”, brinca.

A falta de intimidade com a banda logo se converteu em admiração. O maestro ainda não trocou Bach por John Lennon, mas hoje reconhece o fascínio que o quarteto exerce em diferentes gerações. “Entendi porque a chama não se apaga”, diz.

Acordes além das montanhas de Minas

Eles tocam nas igrejas barrocas, nos paralelepípedos das praças e até nos bairros da periferia da cidade. É no coração histórico de Minas Gerais que a Orquestra de Ouro Preto nasceu, com a missão de promover a música erudita e a formação de público.

Fundada em 2000 por um grupo de professores e alunos da UFOP, a jovem orquestra ajudou a colocar a cidade mineira na rota da música clássica brasileira. “O mineiro é um povo que não se apropria do que tem. É um problema histórico, uma cidade que cresceu vendo as pessoas chegarem, pegarem ouro e irem embora. A orquestra vem trabalhar muito esse lado da cidade. Ser um projeto duradouro, que o mundo vai ver e que vai levar o nome da cidade pra fora”.

A orquestra se baseia em quatro pilares: concerto tradicional e contemporâneo, música mineira do século 18 e música brasileira experimental. “Quem segue as nossas apresentações pode escutar Beatles hoje, Bach amanhã, Villa Lobos e, no outro dia, Piazzola. Assim, ele acaba entrando no mundo da música de diferentes jeitos”, acredita o maestro.

Além dos Beatles, outro projeto experimental trouxe visibilidade ao grupo. No começo do ano, a série Valencianas homenageou, em arranjos sinfônicos, os 40 anos da carreira de Alceu Valença. O músico pernambucano ajudou a escolher as canções que seriam adaptadas para a roupagem orquestral. O trabalho deve virar um DVD.

Para o final do ano, o grupo também está se preparando para ser a estrela de um documentário do cineasta Nelson Pereira dos Santos, que já topou o convite, segundo o maestro.

“Sempre achei concerto chato para ser visto em TV. A ideia [do filme] começou com esse pensamento. Eu assisti a um DVD do Antonio Nóbrega que mostra o show dele em Recife. Quero fazer uma coisa que una a cidade com a orquestra. Que faça o público sentir o que é estar em Ouro Preto e pertencer a ela”.

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